MÚSICA E COMIDA
Diego Mero
É isso que Brasileiro é feito! Bom Apetite!
Não conheço nenhum povo que goste tanto de música quanto o brasileiro. A gente vive a vida com trilha sonora. Estamos tão acostumados que não nos damos mais conta de que há fundo musical para tudo. Onde você vai tem música: no ônibus, na academia, no supermercado, padarias, restaurantes, clínicas e por aí vai. Isso sem falar na canção de elevador. Quando não tem som ambiente, alguém leva um radinho.
Lembro-me de quando era criança e vivia no interior. O padre instalou alto-falantes na torre da igreja e o resultado foi música ambiente para a cidade inteira! Mas o que tem a ver música com comida? Tudo!
Uma das máximas da combinação de comida com vinhos é que, na dúvida, você deve beber o vinho da região de onde vem o prato. Se você saboreia uma massa com temperos da Toscana, tome um vinho italiano da região. Uma raclete ou fondue combina com o vinho branco alemão ou o francês e, para acompanhar um prato como moussaka, beba o vinho grego.
Minha teoria é que, como nós, brasileiros, não somos produtores de vinho, combinamos nossa comida com música. Muitas vezes, da melhor qualidade. Você não discordará de mim quando digo que um risoto de frutos do mar dificilmente combina com música sertaneja. Ou um churrasco caprichado a céu aberto, como se faz nos pampas, seja acompanhado de música axé.
Se olharmos com atenção, o cancioneiro nacional é tão rico quanto nossa gastronomia e com ela cria uma harmonia impressionante.
Qual música poderia combinar melhor com uma feijoada, prato bem carioca, do que uma roda de samba? Outra combinação deliciosa é samba com cozido. A roda vai ficando animada e os legumes e carne vão cozinhando devagarzinho, no ritmo do pandeiro e da cuíca.
Na Bahia, terra do axé e do povo mais festeiro do Brasil, nada mais apropriado do que uma comida de sabores fortes e marcantes. Uma pimentinha e o sabor do azeite de dendê para dar energia e ânimo. Claudia Leitte, Ivete Sangalo e Daniela Mercury são pimenta pura e, você há de concordar, não combinam com tutu à mineira.
No Nordeste, onde a criatividade dos músicos e letristas é impressionante, come-se também o que existe de melhor em peixes e frutos do mar. Alcione e Zeca Baleiro combinam com o delicioso siri catado do Maranhão. E Lenine tem tudo a ver com cartola.
Viajando para o Centro-Oeste e interior de Minas, temos a música de viola e tradições de cantoria. Os pratos? Torresmo, tutu, feijão tropeiro, carne de panela, mandioca frita, bolinho de arroz. Vocês podem imaginar Zezé di Camargo e Luciano descendo o rio
Amazonas cantando É o amor? Impossível! Música sertaneja tem o sabor do Centro-Oeste e de Minas. Don e Juan tem cara de Belo Horizonte, e a música deles tem gosto de amor mineiro.
São Paulo é um estado por si só, tão diferente do Rio de Janeiro e de Minas - tanto na comida como na música. Sampa é o Carrefour (VERDE MAR) dos sonhos. Todo músico quer vencer nessa metrópole, daí a música e a comida mais variadas. Lá tem de tudo: rock, sertaneja, moda de viola, clássica, religiosa e tantos outros estilos. São Paulo me faz pensar em risoto com aspargos, cordeiro e o melhor pão do Brasil, além de música para qualquer estado de espírito.
E se prestarmos mais atenção ainda, veremos que esta harmonia musical se estende para os países. Macarrão combina com música italiana; hambúrguer com rock; comida francesa cai maravilhosamente bem com Edith Piaf e Charles Aznavour; parrilha com tango. Experimente comida árabe ouvindo Natacha Atlas e depois me diga o que você achou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário